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SILÊNCIO DE FOGO

As palavras perderam a força pelo excesso de sentido que transferimos para elas. Mas a solução já foi encontrada. Basta render-se ao que a palavra é de fato, um ovo esquecido no ninho depois do furacão. Lá está ela, perdida de si mesma, a brilhar com a possibilidade da fecundação. O escritor a toca pelas pontas, para não quebrá-la. Coloca-a contra a luz para enxergar o estado em que se encontra. E a deposita de volta, sem fazer ruído.

Foot notes: Crônica publicada no dia 27 de maio de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: May 31, 2008 - 03:53 PM
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O FINO DA PROSA

Não temos, no Brasil, ventos favoráveis constantes para que os talentos possam cumprir destinos e vocações. Vivemos em espasmos, em premiados que caem no esquecimento, em aplausos que o tempo cobre. Depende do autor seguir adiante e é o que Tony Monti consegue fazer, mesmo agora, desarmado do apoio inicial, quando chega ao seu segundo livro, O menino da rosa (Hedra, 46 páginas).

Foot notes: Esta resenha teve a valiosa contribuição da escritora Beth Fleury. Com sua leitura atenta, Beth apontou e solucionou uma série de detalhes que atrapalhavam o texto.

Published: May 31, 2008 - 03:50 PM
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A VERDADE SOBRE OS ANOS 60

Tudo o que é relacionado, hoje, aos anos 60 era, nos anos 60, considerado um horror. Por exemplo: cabelo comprido. Nas capitais provocava apenas xingamento, má vontade, deboche. Mas no interior a punição era o apedrejamento. Outra: rock. Ligado à sujeira e à vagabundagem, rock era coisa de pessoas desviadas do rumo. Dava cadeia. Mais: ser de esquerda. Ninguém tolerava um esquerdista. As bocas se inflavam com o xingamento gritado: comunista! O chic, o elegante, era ser de direita. Ser reaça era o fino. Comunista era morto a paulada.

Foot notes: Crônica publicada no dia 25 de maio de 2008 na revista Donna DC, do Diário Catarinense.

Published: May 25, 2008 - 08:55 PM
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O QUE É MÚSICA?

Música é a capacidade de ouvir. Você pode ser Mozart, mas se não houver quem escute sua obra, ela não existirá. Ninguém compõe para as altas esferas, mas para que o som se propague até um receptor. A música foi assassinada quando descobriram a mina de ouro que é a banalização da batida do tambor. A sofisticação foi reduzida ao pó das baterias, e o tunc tunc se consolidou na indústria imediatista. Mais tarde, “evoluiu” para o baticum eletrônico, que é a entronização surtada da redundância.



Foot notes: Crônica publicada no dia 20 de maio de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: May 21, 2008 - 03:55 PM
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O SUSTO DA ESTRADA

Sobre Into the Wild (Na Natureza Selvagem), o road movie de Sean Penn, de 2007: O protagonista está destruindo a própria família, a vida que o embalou e desprezando o papel fundamental das pessoas que recolhe pelo caminho. Não enxerga que elas são sua única riqueza. Não é nem a trajetória, mas as relações humanas que o enriquecem, que o chamam para a sobrevivência. Mas ele está disposto a morrer. Não perdoa os pais por terem escondido o fato de que ele era filho bastardo, ou coisa assim. Funde a cuca e se atira no meio da neve como um tarado qualquer. Mas Sean Penn tirou leite de pedra, a partir do best-seller de mesmo nome, de Jon Krakauer, publicado em 1996. Traça umperfil isento do aventureiro, colocando sua grandeza e sua precariedade.

Published: May 21, 2008 - 03:44 PM
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O BRASILEIRO ARANHA

Enjeitada pela universidade que a gerou, a obra de Carlos Aranha (Castaneda) guarda desafios importantes para o futuro. Nela, há espaço para o nagual, um lugar que a avalanche descartável não atinge. Enquanto isso, ele é fonte (jamais citada) de inspiração para inúmeros filmes e livros. Pois quem leu Castaneda sabe de onde George Lucas tirou a idéia da Força e de todos os ensinamentos dos Jedis.

Foot notes: Crônica publicada no dia 6 de maio de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense

Published: May 18, 2008 - 08:37 AM
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ALEMANHA, A EXTRAORDINÁRIA

Por que a Alemanha é assim? Certamente não é pelo sangue, pela eugenia racial, pois isso seria nos rendermos ao idealismo. Precisamos da dialética marxista para entender. Uma pista é dada pelo filme “O milagre de Berna” (Das Wunder von Bern), de Sönke Wortmann (2003). Perdemos de oito a três, urravam todos, contra o técnico da seleção, que permanecia firme. Fizemos três gols nos deuses, replicava ele. São vulneráveis, têm fraquezas, vamos aproveitá-las. O grande estrategista puxou de dentro de cada jogador a vontade de vencer, demoliu brigas internas e concentrou o jogo nas possibilidades de vitória. Deu certo.

Published: May 18, 2008 - 08:33 AM
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CONQUISTA COLETIVA

A repetição exaustiva de eventos chama-se redundância e não informação, que sempre foi um artigo escasso. A pepita, a luz do entendimento sobre os fatos, jaz no fundo do rio por falta de bateias, aquele instrumento solo que sumiu diante da lavagem mecanizada dos detritos. Procurar saber dá trabalho. Melhor é se entregar à ilusão de que estamos bem informados, enquanto não conseguimos explicar o grande vazio provocado pelo consumo de gordura trans do noticiário.

Foot notes: Crônica publicada no dia 13 de maio de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: May 13, 2008 - 06:45 PM
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BOM E VELHO OESTE


Quem não chegou de longe para conquistar o coração da moça desperdiçada no meio da pradaria? Ou que veio para enfrentar os bandidos que destroem fazendas para vender o coração dos cidadãos para a malvada ferrovia? Certamente você libertou seu amigo da forca atirando de longe, com sua winchester, na corda fatídica, permitindo que ele esporeasse o cavalo onde foi colocado e assim se salvasse para que vocês pudessem ir atrás dos malfeitores. 

Published: May 05, 2008 - 04:14 PM
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O CHEIRO DO BRASIL JOGADO FORA

O filme nacional “O cheiro do ralo”, dirigido por Heitor Dhalia, que divide com Marçal Aquino o roteiro baseado em livro de Lourenço Mutarell, é sobre o Brasil jogado no lixo. O cenário reproduz uma realidade econômica e social que já passou, fundada na indústria agora obsoleta, nas fábricas que foram para o espaço, no escritório composto de móveis, pisos, paredes e tetos que pertenceram a uma época de costas para o humano. O concreto que cobre todo vestígio de natureza concede apenas um escoadouro de matéria orgânica, de onde sai o fedor de uma civilização perdida.

Published: Apr 30, 2008 - 10:16 AM
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ACIMA DAS ÁGUAS

Idéias fixas jamais cedem. Uma é a de que o Sul precisa ser um país à parte, já que o resto do Brasil não teve a “sorte” de ser colonizado por povos considerados mais nobres. Ou que devemos prestar tributo apenas aos ascendentes europeus, esquecendo os índios, que ensinaram a sobrevivência aos invasores, e com eles se confundiram, como notam Sérgio Buarque de Holanda e Darcy Ribeiro.

Foot notes: Crônica publicada no dia 22 de abril de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Apr 30, 2008 - 10:14 AM
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MÁXIMO GORKI: CENAS DE "INFÂNCIA"

Todos os personagens são impressionantes. A avó gorda e com imensa cabeleira, ágil como uma gata e que sabia todas as lendas da Rússia de cór. O avô ruivo e horrível, que o açoitava todas as semanas e que o ensinou a ler. A mãe ausente, que o deixou para trás, viúva que casou com um agiota e morreu de fome e desgosto. Os irmãos recém nascidos mortos. O mestre tintureiro cego, que era perseguido pelos tios e primos de Gorki, que deixavam os dedais em brasa para ele se queimar. O químico que foi seu primeiro amigo e que acabou expulso pelo avô. A mãe do padrasto, que se vestia toda de verde e tinha também a cara e os dentes da mesma cor. E assim por diante.

Published: Apr 30, 2008 - 10:12 AM
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CENAS INESQUECÍVEIS

Atulhadas de imagens, nossas mentes selecionam o básico para a sobrevivência. Formatamos uma rotina compatível com nossas condições cardiovasculares. O olho é traiçoeiro e só enxerga o que está acostumado a ver. É por isso que alguns cineastas, sabedores desse vício, conseguiram criar imagens de impacto usando uma cena familiar instalada num entorno diferente.

Foot notes: Crônica publicada no dia 27 de Abril de 2008 na revista Donna DC, do Diário Catarinense.

Published: Apr 30, 2008 - 10:10 AM
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NEM PENSAR

Produzir pensamento é ofício raro. Ainda reiteramos idéias de milhares de anos atrás e devemos agradecer por isso, pois as mais recentes (de alguns séculos) nos deixam de cabelo em pé. Átomo, idéia, república são conceitos milenares que fazem parte da nossa natureza. Já capitalismo, fundamentalismo, bigbrother são emergentes, adotados como definitivos, mas como os terremotos, devem passar, mesmo que persista o estrago que provocam.

Foot notes: Crônica publicada dia 29 de abril de 2008 no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Apr 30, 2008 - 10:07 AM
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A IGREJA E A REVOLUÇÃO DE 1924

Hoje a velha Igreja ­da Penha está cercada de edifícios. Em 1924 ela estava "a cavaleiro" da cidade e foi um dos pontos escolhidos para o governo (por meio das tropas do general Eduardo Sócrates) colocar peças de artilharia para bombardear a cidade. O objetivo dos agressores era disseminar o pânico na cidade para forçar a migração da população e a rendição dos revoltosos Padre Antão Jorge Heckenbleinchner, seguindo as recomendações de D. Duarte, buscava alimentos para os retirantes, atravessava lugares perigosos e inúmeras vezes foi preso.

Foot notes: Trabalho escrito e apresentado por Nei Duclós no curso de História da Igreja, ministrado pelo professor Augustin Wernet. Pós-graduação FFLCH/USP.

Published: Apr 19, 2008 - 09:38 PM
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A DIALÉTICA EM JOÃO PAULO II

Ele soube aplacar a linha ultraconservadora dando-lhe o que mais gosta e precisa, poder, e reprimindo os excessos da teologia da libertação (filha direta da igreja transformada nos anos 60). E definiu o perfil de uma Igreja flexível e atuante, corajosa, que foi a campo para enfrentar a própria crise (encontrou saídas no rebanho disperso, no planeta indefeso, nas terras devolutas do mundo em transformação). Essa dupla natureza que soube ser uma só criatura, encarnada no próprio Papa, é a herança principal do Cardeal Woytila, o homem que assumiu as contradições do seu tempo e agiu dialeticamente.

Foot notes: Síntese de textos publicados no Diário da Fonte em abril, maio e junho de 2005.

Published: Apr 19, 2008 - 02:14 PM
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OS CONSULTORES

A indignação é moeda corrente que compra qualquer tipo de solução para os males do mundo. O bom-mocismo, essa falta de caráter vestida para a missa, hoje movimenta milhões em reclames e eventos. No fundo, todos querem a salvação da humanidade, mas tudo fazem para que o planeta se exploda, desde que o saldo bancário esteja garantido.   

Foot notes: Crônica publicada no dia 15 de abril de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense

Published: Apr 15, 2008 - 12:02 PM
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VIDA ADULTA

O cinema é a soma de todos os talentos. Precisa interagir com a vida de verdade, como está voltando a acontecer no mais comercial dos países. A nós, cabe perguntar por que somos tão pobres em abordagens sérias. Nossos filmes, com honrosas exceções, estão confinados ao deboche, à miséria, à eterna mocidade, ao sexo fácil, à violência desmesurada. O máximo que alcançamos é a brutalidade geral, a memória imóvel, o relacionamento amoroso pautado pelo egoísmo. Às vezes, alguém acerta, mas é raro.

Foot notes: Crônica publicada no dia 1º de abril de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Apr 15, 2008 - 11:59 AM
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PALÁCIO INTERIOR

O problema é que o mundo transformado em mercadoria faz de tudo para que as pessoas esqueçam a fonte da vitalidade: o exercício pleno do estado de arte, da forma como bem entendemos. Não apenas o consumo cultural, importante, mas não decisivo. O que vale é a criação, fruto da transcendência que devemos buscar em vida. Não se trata de pegar um filminho para o fim-de-semana (e sair comentando “a fo-to-gra-fia!”), ou se reunir com os amigos para arriscar um banquete sob o fragor de charutos e vinho (suspirar por lareiras não salva ninguém do tédio).

Foot notes: Crônica publicada no dia 8 de abril de 2008 no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Apr 15, 2008 - 11:52 AM
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MENSAGEIROS ESPIRITUAIS

Eles não pregam a verdade, não possuem nenhuma vaidade em direção à eterna busca do Absoluto. São puro movimento em forma de gente. Agem na vigília e no sonho. Na imaginação e na evidência. Na vitrine e na escada rolante. No cartório e na escola. Na rua e na torre. Não são capazes, como os anjos, de tomar alguém pelos braços e levá-lo a um hospital. Não possuem carne os mensageiros espirituais.

Foot notes: Crônica publicada no dia 30 de março de 2008 na revista Donna DC, do Diário Catarinense.

Published: Mar 30, 2008 - 09:45 AM
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A FALA DE PROMETEU

Nada existe, a não ser a linguagem. Tudo finda, com exceção da palavra. O que nos ocupa não tem importância, o que pega é o texto, o verso, a frase, a letra. As falas são os únicos sobreviventes do massacre. O dito é o que ressurge, cria, funda. O amor é seu filho, a dor sua prova. Passam os séculos, mas tua sílaba fica. Como um fígado que renasce diante do abutre. És ladrão do fogo, Prometeu acorrentado, a cuspir no medo. De tua boca sai a metáfora, a sentença, o desafio da pitonisa, a salva de canhões, o grito.



Foot notes: Crônica publicada no dia 25 de março de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Mar 25, 2008 - 08:40 AM
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CRIME VISTO DO ESPELHO

O espetáculo do seu rosto, imóvel diante do espelho que cobria toda a parede, era apenas o primeiro plano de um vasto painel, formado pelo movimento da rua e da calçada em frente à sua barbearia. Sentado na cadeira gasta em vinte anos pelos fregueses que ele custou a conquistar — e que depois desapareceram - ele via, ao fundo daquela paisagem de vidro, os carros cruzarem, de maneira desigual, o espaço refletido. Pois, bem no meio, havia um a divisão que repartia a realidade em cascas diferentes do mesmo ovo.

Published: Mar 25, 2008 - 08:33 AM
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GREVE DE PALAVRAS

Nos Estados Unidos, existe hoje um tipo de cinema cult que é o dos roteiristas brilhantes. Grandes estrelas abrem mão de seus cachês para fazer uma ponta em obras de cérebros e talentos privilegiados. É o cansaço da padronização dos roteiros e da venda de Hollywood para as políticas imperiais, o que se tornou praxe depois da vitória do macarthismo. As melhores cabeças não são mais convocadas, a não ser para abrir mão dos originais e deixar que escribas fiéis ao regime sapateiem em cima.

Foot notes: Crônica publicada no dia 18 de março de 2008, no Caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Mar 21, 2008 - 10:07 AM
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HORA DA MESA

Havia solenidade nas refeições. Uma hierarquia definia os papéis à mesa: pais nas cabeceiras, filhos de um lado e filhas do outro. Os menores estavam mais próximos da mãe. Para evitar tumulto, devido à quantidade de comensais, não era permitido conversar mais do que o necessário. “Passe o arroz” nunca poderia ser substituído por “briguei hoje no colégio”. Assim como as palavras, as porções eram rigidamente controladas. Nunca faltou nada porque a disciplina colocava a voragem natural da prole em limites suportáveis.

Foot notes: Crônica publicada dia 11 de março de 2008 no Caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Mar 14, 2008 - 09:11 PM
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BEIJO ENTRE NUVENS

Tenho estudado o comportamento de certas nuvens e noto que elas formam criaturas disformes e gigantescas, não catalogadas nos compêndios de História Natural. Não se trata de enxergar leões marinhos ou elefantes nos algodões que bordam o azul da estação. Ver com olhos livres é aprender algo inédito gerado por contornos e movimentos. Nada a ver com os documentários da televisão sobre a vida nas savanas, geleiras ou arquipélagos. Ou com as lembranças que temos das visitas ao zoológico.

Foot notes: Crônica publicada dia 4 de março de 2008 no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Mar 04, 2008 - 09:41 AM
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