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DÊ O CRÉDITO, GEORGE LUCAS
George Lucas é, com justa razão, tratado com a maior deferência pela
imprensa e o mundo cinematográfico. Fez coisas incríveis e virou
milionário graças ao seu talento e a noção que tem de mercado, ou seja,
não se deixa levar por idéias prontas e com sua criatividade atrai
milhões de pessoas em todo mundo, por décadas. Mas Lucas tem um defeito
grave: não dá crédito para suas melhores sacadas. Em Star Wars, a
essência é totalmente fundada nos livros de Carlos Castaneda. O Yoda
como Don Juan, a Força como o nagual, o jedi como o guerreiro
impecável, tudo conflui para Castaneda. Em Indiana Jones 4, a mesma
coisa: o roteirista Lucas (a direção é de Steven Spielberg) tirou o
principal de Erick Van Daniken, do best-seller Eram os Deus
Astronautas. Alguém citou Daniken? Nem George Lucas.
Published: Oct 11, 2008 - 08:05 AM
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FONTES DA BOSSA
Não é que Caetano queira imitar João, Caetano é João, sem deixar de ser
Caetano. É emocionante compartilhar a grandeza desse artista que nos
brinda com a madura longevidade do seu talento inimitável. A seriedade,
a competência e a inteligência como canta é uma questão cultural.
Caetano é a ruptura que resgatou muita coisa da tradição, sem abrir mão
da ruptura. É vanguarda o tempo todo, até mesmo quando escande as
sílabas para homenagear a banda, os músicos, tornando sua voz um
instrumento significativo, mas coadjuvante. Em Caetano, é o arranjo, a
harmonia, a melodia que contam.
Published: Sep 30, 2008 - 08:56 AM
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O ADEUS DO INDOMÁVEL
Em Cool Hand Luke (Rebeldia Indomável, 1967), no papel de
um presidiário que se insurge contra a cadeia, Paul Newman conseguiu
seu passaporte para a eternidade. Agora que não fará mais filmes, e
está sendo lembrado pelo seus papéis mais afetados, como o jogador de
sinuca de A cor do dinheiro, o gigolô de Gata em teto de zinco quente, o soldado de Exodus ou o bandoleiro simpático de Butch Cassidy,
é melhor regular a transmissão para esta obra prima de Stuart
Rosenberg, com George Kennedy como coadjuvante, fazendo papel do
veterano que protege o garoto recém chegado, Newman, capaz de comer 50
ovos! De condenado a anos de prisão por ter desmontado, bêbado, alguns
parquímetros na calçada, ele vira o mito rebelde que busca a liberdade
de qualquer jeito e que deixa o sistema carcerário num beco sem saída:
ou mata o indomável ou sucumbe com ele.
Published: Sep 30, 2008 - 08:54 AM
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ACROSS THE UNIVERSE: CHEGUE JUNTO
Nada mais é inesquecível, tudo está na mão. A memória era um lugar,
hoje é lugar nenhum. Faz parte do consumo. A cena esquecida do filme
perdido está no You tube. E o resgate do passado, feito agora, acaba
sendo tratado como pão adormecido. É o caso do impressionante Across the Universe,
o musical que nasce clássico, lançado em 2007. É tratado como um
amontoado de clipes, como diluição das músicas dos Beatles, como "mais
do mesmo" dos anos 60, quando não é nada disso. É uma bela obra. Mas
ficar impactado com o filme não pega bem. A moda é negligenciar a obra
alheia.
Published: Sep 30, 2008 - 08:45 AM
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O CINEMA EM BUSCA DAS ORIGENS
Todo filme é sobre cinema. "Um longo caminho" (2005), dirigido por Yimou
Zhang e com Ken Takakura e um elenco de atores amadores, não foge à
regra. A morte, nessa obra, é representada pela ausência da indústria
audiovisual na vida dos personagens. O velho, que depois de perder a
mulher se recolhe a uma aldeia de pescadores, não tem sequer televisão.
Sua tela, a natureza, que atrai sua atenção durante horas, é a extrema
solidão de um mundo sem cinema. Ele só existe porque está sendo filmado
por Yimou, cineasta deslumbrante de vários sucessos.
Published: Sep 20, 2008 - 06:05 PM
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A PROFECIA DA VIDA MANSA
Quando falam que tens futuro, e apontam caminhos para chegar lá, é porque querem conduzir teu destino. Qual é o futuro dos dois jovens de classe média baixa londrina (Colin Farrel e Ian McGregor) no filme de Woody Allen, O sonho de Cassandra (2007)? É o tio milionário Howard (Tom Wilkinson), ídolo da irmã, mãe dos rapazes, que não cansa de usá-lo como modelo contra o marido perdedor, enfartado e dono de restaurante. Na mitologia grega, Cassandra é a a belíssima troiana amaldiçoada por Apolo, que não conseguiu faturá-la e por isso determinou que suas profecias jamais teriam credibilidade.
Published: Sep 20, 2008 - 06:03 PM
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FALSO PACIFISMO
A ascensão do candidato democrata Barak Obama na campanha eleitoral
americana coincide, no cinema, com uma série de filmes que pretendem
enterrar a era Bush, a tirania gerada a partir do atentado de 11 de
setembro de 2001. Existem filmes que se dedicam aos bastidores da mídia
e da política, como "Leões e Cordeiros", do militante Robert Redford,
uma denúncia do oportunismo alimentando os conflitos fora das
fronteiras. Ou "War, Inc.", de Joshua Seftel e roteiro de John Cusack,
baseado no livro sobre economia de choque da jornalista canadense Naomi
Klein, um escracho contra a manipulação corporativa da guerra do
Iraque. Mas o tema mais recorrente é a volta dos bravos rapazes de um
front duvidoso para a América arrasada economicamente.
Foot notes: Crônica publicada no dia 9 de setembro de 2008 no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Sep 09, 2008 - 08:07 PM
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DUELO EM CAMPO ABERTO
A síndrome do atraso empurrou o Brasil para a destruição sistemática
dos próprios vestígios. Memória é considerada perda de tempo. É
exatamente o contrário: é o tempo gasto, mas com vocação de eternidade.
Não significa apenas lembrar, mas reconstituir, resgatar, recompor,
revisitar. Jamais reproduzir, já que toda memória obedece à época em
que é gerada.
Foot notes: Crônica publicada no dia 2 de setembro de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense
Published: Sep 05, 2008 - 03:49 PM
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O DESTINO NÃO É HUMANO
Há uma seqüência capital de No country for old men, dos Irmãos Cohen, que no Brasil ganhou o improvável título de “Onde os fracos não têm vez” . É quando o facínora persegue o texano, interpretado por Josh Brolin, na fronteira com o México. O assassino não mostra a cara o tempo todo. Os espectadores já estão impregnados de sua presença. Não há mais o que mostrar, a não ser suas ações, seus impactos na vítima em fuga. As balas se sucedem por todo o lado, arrancando pânico e sangue. O rosto animal não aparece, mas somos tomados pelo terror.
Published: Jun 22, 2008 - 10:37 AM
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O SUSTO DA ESTRADA
Sobre Into the Wild (Na Natureza Selvagem), o road movie de Sean Penn, de 2007: O protagonista está destruindo a própria família, a vida que o embalou e desprezando o papel fundamental das pessoas que recolhe pelo caminho. Não enxerga que elas são sua única riqueza. Não é nem a trajetória, mas as relações humanas que o enriquecem, que o chamam para a sobrevivência. Mas ele está disposto a morrer. Não perdoa os pais por terem escondido o fato de que ele era filho bastardo, ou coisa assim. Funde a cuca e se atira no meio da neve como um tarado qualquer. Mas Sean Penn tirou leite de pedra, a partir do best-seller de mesmo nome, de Jon Krakauer, publicado em 1996. Traça umperfil isento do aventureiro, colocando sua grandeza e sua precariedade.
Published: May 21, 2008 - 03:44 PM
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ALEMANHA, A EXTRAORDINÁRIA
Por que a Alemanha é assim? Certamente não é pelo sangue, pela eugenia
racial, pois isso seria nos rendermos ao idealismo. Precisamos da
dialética marxista para entender. Uma pista é dada pelo filme “O
milagre de Berna” (Das Wunder von Bern), de Sönke Wortmann (2003).
Perdemos de oito a três, urravam todos, contra o técnico da seleção,
que permanecia firme. Fizemos três gols nos deuses, replicava ele. São
vulneráveis, têm fraquezas, vamos aproveitá-las. O grande estrategista
puxou de dentro de cada jogador a vontade de vencer, demoliu brigas
internas e concentrou o jogo nas possibilidades de vitória. Deu certo.
Published: May 18, 2008 - 08:33 AM
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BOM E VELHO OESTE
Quem não chegou de longe para conquistar o coração da moça desperdiçada no meio da pradaria? Ou que veio para enfrentar os bandidos que destroem fazendas para vender o coração dos cidadãos para a malvada ferrovia? Certamente você libertou seu amigo da forca atirando de longe, com sua winchester, na corda fatídica, permitindo que ele esporeasse o cavalo onde foi colocado e assim se salvasse para que vocês pudessem ir atrás dos malfeitores.
Published: May 05, 2008 - 04:14 PM
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O CHEIRO DO BRASIL JOGADO FORA
O filme nacional “O cheiro do ralo”, dirigido por Heitor Dhalia, que
divide com Marçal Aquino o roteiro baseado em livro de Lourenço
Mutarell, é sobre o Brasil jogado no lixo. O cenário reproduz uma
realidade econômica e social que já passou, fundada na indústria agora
obsoleta, nas fábricas que foram para o espaço, no escritório composto
de móveis, pisos, paredes e tetos que pertenceram a uma época de costas
para o humano. O concreto que cobre todo vestígio de natureza concede
apenas um escoadouro de matéria orgânica, de onde sai o fedor de uma
civilização perdida.
Published: Apr 30, 2008 - 10:16 AM
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GODARD: O PENSAMENTO ENFRENTA A VORAGEM
A complicação, em Godard, é fruto da ética. O assunto amor foi
amarrotado pela indústria que aprisiona as almas e para encontrá-lo de
verdade é preciso mais do que um travelling sobre o bosque que guarda
os vestígios de uma antiga batalha, mais do que um passeio noturno na
chuva, na noite e no inverno. É preciso tomar nota à margem da produção
em massa, para que o tema se revele na sua essência, fora dos limites
impostos pelo desfecho das guerras. É onde o humano sobrevive, de
costas para o comércio dos gestos, que o protagonista busca o pássaro
arisco de sua aventura mental.(Ensaio sobre o filme "O Elogio do
amor").
Published: Jan 23, 2008 - 04:44 PM
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SHALAKO: SEM TRADIÇÃO NÃO HÁ RUPTURA
Vi Shalako, o filme de 1968 do canadense Edward Dmytryk, baseado em
livro de aventuras de Louis L´Amour, com Sean Connery e Brigitte
Basrdot, além de Jack Hawkins e Stephen Boyd. É o que chamávamos de
filmaço. Um take: os invasores da reserva têm até o amanhecer para
deixar o forte, mas eles não obedecem; pois pinta o primeiro raio de
sol que incide diretamente no punhal do indígena que inaugura o ataque.
Published: Jan 15, 2008 - 10:46 PM
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O TRABALHO COMO ARTE, EM ROBERT ALTMAN
Lembro o impacto quando vimos Mash, de Robert Altman, nos anos 70. E
qual seria esse assombro? A possibilidade de alguém exercer a
profissão, seja qual for (no caso, o exemplo limite de dois médicos de
guerra, interpretados por Donald Shuterland e Elliot Gould) como um
exercício responsável de arte. Ou seja, era possível criar no mundo do
trabalho, transformá-lo por meio da transgressão. Manter a alma
intacta, sem emporcalhá-la na submissão e na redundância. E transcender
o arrocho da sobrevivência, fazendo o que se gosta sem que isso
signifique lirismo ou utopia.
Published: Dec 19, 2007 - 05:41 PM
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SOLDADOS DE SALAMINA
Soldados de Salamina (2001) , a premiada e bem sucedida novela de Javier Cercas, é sobre a reconciliação nacional na Espanha depois da queda do franquismo, quando era necessário revisitar as feridas abertas da Guerra Civil de 1936 a 1939. Foi sucesso por vários motivos. Primeiro, pela súbita notoriedade que adquiriu quando foi descoberta por Mario Vargas Llosa, o que colocou o livro no circuito da leitura obrigatória. Segundo, porque aborda a relação contemporânea da Espanha com o passado, como notou o cineasta David Trueba ao levar a história para o cinema em 2002, filme que vi ontem e que é absolutamente magnífico. E terceiro, exatamente porque tocou no ponto principal do país dividido: a necessidade de reconquistar a união nacional, por meio não do perdão puro e simples, mas do entendimento de que a vida precisa ser hegemônica sobre a celebração da morte.
Published: Nov 05, 2007 - 03:09 PM
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OLHAR OS CONTEMPORÂNEOS
No convívio com tantas pessoas ao nosso redor, melhor é enxergar o que
melhor nos agrada, relevar as partes fracas, ser generoso nos detalhes,
apostar no sucesso alheio e esperar reciprocidade. Se ela não vier,
paciência. Você está no lugar exato: na amurada de um navio, tentando
ver quem se aproxima na neblina. São as pessoas, com seus defeitos e
qualidades. Bem-vindos todos a bordo. Mas não usem o que nos aproxima
para aprofundar o que nos afasta.
Published: Oct 08, 2007 - 08:57 AM
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A REVOLUÇÃO DOS ROTEIRISTAS
Há uma reação cada vez mais intensa contra a babaquice da chamada
indústria do entretenimento, braço ideológico da era Bush. A idiotia
reinante é a retaliação ao que de melhor se fez nas décadas anteriores.
Veio em forma de roteiros robôs, clonados e multiplicados ao infinito.
E da destruição do trabalho autoral dos cineastas, que hoje são apenas
funcionários de megaproduções. Todos hoje podem adivinhar o
desdobramento de um filme a partir dos seus momentos iniciais, mas isso
não goza mais da mesma impunidade de anos atrás.
Published: Oct 07, 2007 - 08:07 AM
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ACASO, COINCIDÊNCIA E NARRATIVA
Por pura coincidência (ou seriam os deuses do Acaso?) vi dois filmes
seguidos sobre o mesmíssimo tema, apesar de, nos créditos e no Google,
não existir ninguém que tenha falado que haja ligação entre eles. Um é A Ponte de São Luís del Rey e outro Eterno Amor.
Cada um é baseado num autor diferente. O primeiro, no ganhador do
Pulitzer Thornton Wilder, que lançou seu livro em 1927. E o outro no
livro de Sébastien Japrisot. O argumento é idêntico: cinco pessoas
condenadas se encontram juntos no mesmo lugar para morrer. Quem são
elas e por que estão lá? pergunta o narrador/investigador da Ponte de
São Luis Rey, um padre que está sendo julgado pela Inquisição. Quem são
essas pessoas e será que uma delas sobreviveu? pergunta a
narradora/investigadora de Eterno Amor. Destino é a chave para decifrar
a charada. A trama é a busca de respostas, que surgem a partir do
resgate de cada uma das cinco vidas.
Published: Sep 16, 2007 - 12:20 PM
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SARTRE INFLUENCIA WOODY ALLEN
É totalmente baseado num trecho das memórias de Sartre, “As palavras”
(Les Mots), o filme de Woody Allen “Dirigindo no escuro”, de 2002.
Nessa biografia da sua infância, Sartre imagina a mãe reclamando que
ele lia no escuro, ao que replica que “mesmo na escuridão poderia
escrever”. É antológica a autoflagelação de Sartre neste livro ao
mergulhar nas imposturas do menino órfão criado pelo avô. Numa de suas
maquinações, o garoto imaginava escrever, “mais cego do que Beethoven
foi surdo”, seu derradeiro livro. Os contemporâneos achariam um lixo,
mas os póstumos, uma obra-prima.
Published: Sep 11, 2007 - 02:09 PM
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O ADMIRÁVEL CINEMA ARGENTINO
O cinema argentino é a expressão de um país que amadureceu quando foi destruído pelas perdas internacionais, gerenciadas cruelmente por uma elite interna traidora. Os argentinos colocam os torturadores da ditadura na cadeia, expulsam presidentes a panelaços e não perdoam o que fizeram com eles. Por isso seu cinema é tão notável, disparado um dos melhores do mundo na atualidade. Existem inúmeros exemplos, mas prefiro ficar com os três de Juan José Campanella, estrelado por esse fantástico talento que é o Ricardo Darin: O mesmo amor, a mesma chuva (1999), O filho da noiva (2001) e O Clube da Lua (2004).
Published: Sep 08, 2007 - 03:00 PM
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NA PISTA DE RASTROS DE ÓDIO
O casamento perdido, esse descompasso entre o grande amor do renegado e
a mulher protegida pela casa civilizada e o matrimônio, seria a espinha
dorsal de The Searchers,
a obra-prima absoluta de John Ford. Ethan, no fundo, se culpa por ter
perdido o seu amor e também se culpa por ter se afastado da casa, o que
deu margem ao massacre promovido pela tribo de Scar (Cicatriz), o
comanche que acaba seqüestrando Debbie por mais de cinco anos. Ethan
quer impedir o casamento, a união renegada, entre Scar e sua vítima,
entre o índio e a mulher branca
Published: Aug 14, 2007 - 01:36 PM
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300 DE ESPARTA: O SEQUESTRO DA HISTÓRIA
300 de Esparta é um filme fascista porque o traidor dos
espartanos é alguém que deveria, pelas leis da cidade-estado, ter sido
eliminado por ser fisicamente deformado. O recém-nascido que não estava
à altura das exigências espartanas escapou porque a mãe a levou para o
campo e o criou. O rebento sempre quis ser soldado e incorporou-se ao
comando de Leônidas. Mas o traiu para os persas. O recado é simples: a
eugenia, a seleção brutal dos futuros barrigas-tanquinho, está
plenamente justificada.
Published: Aug 10, 2007 - 01:36 PM
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A MITOLOGIA IMPERIAL DO VÍCIO
Toda uma avalanche de mistificações transforma o filme Miami Vice,
de Michael Mann, num modelo clássico de manipulação de consciências. Os
espectadores brasileiros se identificam com os detetives e elogiam o
roteiro bem feito, as interpretações seguras, a aventura e a ação. Mas
o que deve ficar claro é a composição perversa de mitos de alienação e
dominação. Os heróis são modelos de virtude, ou seja, de força física
modelada por corpos cevados na correção aeróbica. Ao contrário dos
vilões, que expõem a força bruta de corpos disformes e tatuados, ou a
nefasta aparência de intelectuais decaídos
Published: Jul 28, 2007 - 09:21 AM
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