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NOIR
Soubeste do Nick, é, o Nicolau, aquele, lá da Dona Netti, assim com
dois tês. Sabe que a Dona Netti se chamava Ambrosia? Quem deu o
apelido, que pegou, foi o Nick. Ele era apaixonado por filme noir.
Dizia que todos eram obras-primas. Vivia futucando arquivo morto para
ver se encontrava alguma obra viva, que desse para projetar. É que ele
tinha visto praticamente sozinho os filmes lá na adolescência dele.
Como era um cara desse tamanho, fajutou uma carteira de estudante e
entrava em sessão proibida para di menor. Sabia que ele queria fazer um
festival desses filmes, quando tudo já tinha virado sucata? Ninguém
sabia onde estavam. Nick achava que os filmes favoritos dele não cabiam
em DVD. Tinha que ser no celulóide. Vê se pode.
Published: Oct 11, 2008 - 08:10 AM
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(1083 more word(s))
QUAL DEMOCRACIA?
Fala-se tanto em voto de cabresto como se fosse algo pertencente ao
passado. Mas o voto útil, por exemplo, mais explícito no segundo turno,
é o mesmo velho hábito das eleições antigas, só que atualizado por meio
de argumentos, digamos, científicos. O engessamento da opinião, que
existe a partir de conglomerados de pensamentos prontos para o uso (mas
embalados num charme pseudofilosofante), é a grande tragédia do atual
estágio político brasileiro. Reflete a imposição de proibições,
mascaradas sob a ótica dos nichos.
Foot notes: Crônica publicada no dia 7 de outubro de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Oct 11, 2008 - 08:00 AM
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(344 more word(s))
NOSSO DINHEIRO
Recurso público não é propriedade de indivíduos ou empreendimentos. O
dinheiro pertence ao Estado e a mais ninguém. Não é mais seu, meu ou
nosso. Senão, qualquer um poderia retirar do cofre coletivo o que bem
lhe aprouvesse. Pode-se argumentar: sim, mas esse montante pertencia à
sociedade, que foi injustamente aliviada do que é seu e agora está à
disposição da corrupção oficial. Pertenciam. Esse é o ponto. A
sociedade outorga ao Estado a função de dispor do caixa.
Foot notes: Crônica publicada no dia 30 de setembro de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Sep 30, 2008 - 08:59 AM
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(375 more word(s))
BILAC
Nepotismo, prostituição infantil, violência urbana: nada escapa ao
cronista Olavo Bilac na carioca Gazeta de Notícias. Na virada do século
19 para o 20, ele denuncia os exploradores sexuais de crianças de sete
e oito anos, ironiza os oligarcas que empregam as famílias nas bocas do
Senado e da Câmara, se insurge contra as quadrilhas em ação na Revolta
da Vacina. Bilac tem o dom da palavra clara, sem esse azedume que tomou
conta da literatura brasileira nos últimos tempos, fruto da
desconfiança dos autores em relação aos leitores.
Foot notes: Crônica publicada no dia 23 de setembro de 2008, no caderno Variedades do Diário Catarinense.
Published: Sep 30, 2008 - 08:48 AM
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(365 more word(s))
A EXPERIÊNCIA
Ele entrou com um gravador na mão e foi logo instalando em cima da
minha mesa. Tentei ser gentil, mas o seu jeito de andar, se abaixar e
pegar os fios era terrível. Na hora em que alcancei a mão no telefone
ele fez um movimento tão brusco para me impedir que acabou caindo em
cima do lixo. Não riu, só fez uma careta. Levantou-se, puxou o paletó,
sempre com aquela expressão torcida. Estava tentando sorrir, lá da
maneira dele, só que eu não pude adivinhar, na hora, o que era.
Imediatamente começou a me mostrar.
Foot notes: Conto publicado no final dos anos 70 no jornal Movimento e, em setembro de 2008, no espaço Literário do Comunique-se. Faz parte do meu livro de contos "Mágico deserto", ainda inédito.
Published: Sep 20, 2008 - 05:55 PM
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EM NOME DO TEMPO
Deveria haver um mandamento para não tomar o nome do tempo em vão.
Evitaria um massacre, gerado por vícios como achar que existem pessoas
à frente do seu tempo, como se o passado sofresse de um pecado original
que não o habilita para o gênio. Ou dizer que o tempo atual é definido
pelas celebridades, como se o interesse excessivo por elas passasse um
atestado de idiotia ao presente. Ou sustentar que não sobreviveremos a
este século, por força do aquecimento global, ou da nova era glacial,
dependendo da moda, o que é uma forma de enterrar o futuro, que ficaria
assim excluído da esperança, sua velha moeda corrente.
Foot notes: Crônica publicada no dia 19 de agosto de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Aug 22, 2008 - 09:07 AM
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ESSE ESTRANHO AMOR
O amor à Pátria é o primeiro a ser negado quando nosso representante,
no lugar de evitar o gol do adversário, contribui com ele por omissão
ou soberba. Quando a reiteração dos crimes compõe a identidade do país
que deveríamos amar. Basta o galo cantar uma só vez para trairmos a
devoção cívica que deveria nos nortear. No varejo, nos dias que se
sucedem sem nenhuma graça, vemos o amor à Pátria escoando pelo ralo. É
o Brasil, dizemos, e damos o assunto por encerrado.
Published: Aug 17, 2008 - 09:27 AM
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PESADELO AUTOMOTIVO
Peça de automóvel é como célula: já vem programada para pifar, depende
do modelo e da marca. Se os artífices das montadoras são capazes até de
inocular cheiros específicos nos estofamentos, para aumentar o poder de
sedução na hora da compra, se pesquisam até o barulho da porta quando
se fecha para sugerir poder, ou simplesmente carícia para quem ouve,
como não iriam decidir o mais importante? Ou seja, o momento exato em
que você terá de livrar do seu pé de borracha favorito e desembolsar
mais dinheiro, se quiser manter seu status de feliz proprietário de um
zero. Foot notes: Crônica publicada no dia 17 de agosto de 2008, na revista Donna DC, do Diário Catarinense.
Published: Aug 17, 2008 - 09:25 AM
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VIOLÊNCIA PLANEJADA
Qual seria a verdadeira revolução? A paz, que só se consegue com
algumas providências. Primeiro: o monopólio do exercício legal da
violência por parte das instituições nacionais, sob a guarda da
correção e a ética. Segundo: o fim do capitalismo de desastre e a volta
da luta em favor do equilíbrio social. E terceiro: a língua comum
afiada na criatividade, no conhecimento e na experiência.
Foot notes: Crônica publicada no dia 12 de agosto de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Aug 15, 2008 - 11:24 PM
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DOMINÓ DE ASSOMBROS
É mansa essa passagem entre dois eixos, o firme estanho do sol e a
morna geléia que anuncia a noite. Ainda é cedo, mas a coruja antevê o
sereno. Monstros abrem o olho. Estrelas invisíveis fervem no cinza
azulado e aguardam o breu para tocaiar o sonho. Tudo está atento como
na véspera do Juízo. Ninguém dorme a sesta de escombros. Há um
despertar de açoites, corações incertos, algas que se soltam da cabeça.
O acordo era andar, mas há uma pré-estréia de sonâmbulos. Câmaras de
silêncios, cavernas de molejos, êxodo de mântras.
Foot notes: Crônica publicada no dia 29 de julho de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Jul 29, 2008 - 10:47 AM
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DITADURA INFORMAL
Assim como existe uma economia informal, há também um regime político
por baixo do pano. Os dois sistemas se parecem, e se alimentam
mutuamente. São realidades que colocam em fila, como nos pesadelos da
série Matrix, toda a população conectada diretamente aos sanguessugas,
enquanto vivemos um mundo de aparências, formatado pelo bombardeio
pesado da nossa percepção. Isso parece uma excrescência conceitual e
teórica, pois é difícil acreditar que todo o aparato legal, tão
reiterado pela correção e a ética, seja apenas a fachada de um esquema
perverso, que permanece oculto e ao mesmo tempo presente.
Foot notes: Crônica publicada no dia 22 de julho de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Jul 29, 2008 - 10:45 AM
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NOS BRAÇOS DO PAI
Nada se pode dizer diante do heroísmo do filho, o amor e a determinação do pai, a grandeza da briga por se manter vivo, a dor incomensurável da perda, a falta de recursos num lugar que deveria sobrar em tudo. Nada se pode dizer diante da mãe que viu seu filho sumir para sempre e testemunhar a insistência do marido, que jamais perdoou o destino e nunca se deu por vencido. Não se conformou e isso quase salvou a vida do seu filho. Foi por pouco, Edílson, foi por pouco, Socorro, foi por pouco, Jonathan.Foot notes: Crônica publicada no dia 20 de julho de 2008 no caderno Donna DC, do Diário Catarinense.
Published: Jul 20, 2008 - 08:59 AM
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DIAMANTES DO ACASO
O que ficava no fundo, veio à tona. O que era oculto, foi decifrado.
Quem estava escondido, deixou de ser tímido. Quem guardava um tesouro,
embriagou-se. Quem estocava palavras, desandou. Não há mais segredos,
embora persistam os mistérios. O mundo é um enorme divã, mas a angústia
permanece. A pobreza de espírito implantada impede que se formem feixes
de luz, ambientes habitáveis, grandezas. Há um espalhar de ruínas. Os
ventos sopram, invariavelmente, restos de uma estranha ferocidade.
Published: Jul 18, 2008 - 09:38 PM
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PAZ NA DIFERENÇA
Só existe paz quando as fronteiras estão consolidadas. O Tratado de
Versalhes, que humilhou a Alemanha e movimentou as linhas divisórias no
coração da Europa retalhada pela Primeira Guerra, resultou na invasão
total dos países em conflito. Por isso não adianta sonhar com a paz se
houver esse esgarçamento das linhas divisórias, uma fragilidade
denunciada inclusive pela construção de muros, como acontece entre
México e Estados Unidos. Quando não há garantia de fronteiras,
instala-se a barbárie.
Published: Jul 18, 2008 - 09:36 PM
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IMPROVISO NA OBRA
A mão-de-obra brasileira na construção civil, cada vez mais escassa
pelo excesso de demanda, está sendo treinada nos padrões internacionais
e de qualidade. Mas nas pequenas reformas, onde os contratos
apalavrados levantam inúmeras edificações, ainda vigora o improviso e a
criatividade. É essa percepção flexível, de tirar o máximo do mínimo de
condições, que deslumbra empregadores estrangeiros, acostumados à
rigidez e às exigências dos operários de outros países. O Brasil foi
feito no muque e temos séculos de uma cultura que se apropria e
transmite, pelas gerações afora, soluções cevadas na escassez.
Foot notes: Crônica publicada no dia 1º de julho de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Jul 10, 2008 - 11:52 AM
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VIDA EM MARTE
A verdade é que não importa mais quem faz o quê. O que vale é preencher as milhares de horas disponíveis para servir de recheio no sanduíche dos mega-interesses. Não é que o mundo tenha mudado. O mundo, de fato, acabou. Viramos marcianos a olhar, incrédulos, o que fizeram com o lugar onde passamos a maior parte de nossas vidas. A destruição é tão completa que fica difícil explicar para a moçada como foi que aconteceu o desastre. Corremos o risco de ficar falando sozinhos, diante de pelotões infindáveis de celulares.
Foot notes: Crônica publicada no dia 24 de junho de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Jun 24, 2008 - 04:07 PM
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SABEDORIA DE ESQUINA
Imagino que as pessoas estocam conhecimento sem esperança de passá-lo adiante. Há bastante má vontade em relação ao pensamento autóctene, o que não segue a cartilha e que se perde na multidão. A sacada empírica, fundada na observação direta, a mesma que fez a glória dos fundadores da ciência, foi deixada de lado. Os sabichões abundam por toda parte, calcados no que já foi comprovado, esquecidos de que existe muita estrada ao nosso redor para ser processada por mentes insaciáveis.
Foot notes: Foot notes: Crônica publicada no dia 17 de junho de 2008 no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Jun 17, 2008 - 01:03 PM
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ARTES DIÁRIAS
Buscamos a excelência no mundo prosaico. Trabalhar bem é uma arte, que aprendemos todos os dias. Funcionamos diante do espelho, os outros. Enxergamos melhor quando vemos a fonte e as conseqüências de ações e gestos dos contemporâneos. E qual é o espaço mais intenso de relacionamento humano? O namoro, o amor, as relações de sangue ou o comércio? Vendemos e compramos sem parar, por uma questão de sobrevivência. Você pode viver no mundo da Lua, apaixonar-se, passar as férias com os pais, mas a presença gigantesca das trocas de produtos e serviços remunerados se impõe na maior parte da nossa vida.
Foot notes: Crônica publicada dia 10 de junho de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Jun 11, 2008 - 12:43 PM
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GALO INVENTA A MANHÃ
O galo torce o quebranto, ensina a sobrevivência. Ele se espicha, cisca o que tem de mais fundo, se supera. E aos poucos vai acostumando o ambiente à batida do seu pulso, que pressiona a vigília. Cria curiosidade entre os vivos, que torcem para ver quem ganha. No duelo desigual, a tampa noturna luta de um lado. No outro, o cantar do galo ganha ritmo, e aos poucos orquestra o ouvido adormecido da multidão, faminta de luz.Foot notes: Crônica publicada no dia 3 de junho de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Jun 03, 2008 - 02:14 PM
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SILÊNCIO DE FOGO
As palavras perderam a força pelo excesso de sentido que transferimos para elas. Mas a solução já foi encontrada. Basta render-se ao que a palavra é de fato, um ovo esquecido no ninho depois do furacão. Lá está ela, perdida de si mesma, a brilhar com a possibilidade da fecundação. O escritor a toca pelas pontas, para não quebrá-la. Coloca-a contra a luz para enxergar o estado em que se encontra. E a deposita de volta, sem fazer ruído.
Foot notes: Crônica publicada no dia 27 de maio de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: May 31, 2008 - 03:53 PM
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A VERDADE SOBRE OS ANOS 60
Tudo o que é relacionado, hoje, aos anos 60 era, nos anos 60,
considerado um horror. Por exemplo: cabelo comprido. Nas capitais
provocava apenas xingamento, má vontade, deboche. Mas no interior a
punição era o apedrejamento. Outra: rock. Ligado à sujeira e à
vagabundagem, rock era coisa de pessoas desviadas do rumo. Dava cadeia.
Mais: ser de esquerda. Ninguém tolerava um esquerdista. As bocas se
inflavam com o xingamento gritado: comunista! O chic, o elegante, era
ser de direita. Ser reaça era o fino. Comunista era morto a paulada.
Foot notes: Crônica publicada no dia 25 de maio de 2008 na revista Donna DC, do Diário Catarinense.
Published: May 25, 2008 - 08:55 PM
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O QUE É MÚSICA?
Música é a capacidade de ouvir. Você pode ser Mozart, mas se não houver quem escute sua obra, ela não existirá. Ninguém compõe para as altas esferas, mas para que o som se propague até um receptor. A música foi assassinada quando descobriram a mina de ouro que é a banalização da batida do tambor. A sofisticação foi reduzida ao pó das baterias, e o tunc tunc se consolidou na indústria imediatista. Mais tarde, “evoluiu” para o baticum eletrônico, que é a entronização surtada da redundância.Foot notes: Crônica publicada no dia 20 de maio de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: May 21, 2008 - 03:55 PM
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O BRASILEIRO ARANHA
Enjeitada pela universidade que a gerou, a obra de Carlos Aranha
(Castaneda) guarda desafios importantes para o futuro. Nela, há espaço
para o nagual, um lugar que a avalanche descartável não atinge.
Enquanto isso, ele é fonte (jamais citada) de inspiração para inúmeros
filmes e livros. Pois quem leu Castaneda sabe de onde George Lucas
tirou a idéia da Força e de todos os ensinamentos dos Jedis.
Foot notes: Crônica publicada no dia 6 de maio de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense
Published: May 18, 2008 - 08:37 AM
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CONQUISTA COLETIVA
A repetição exaustiva de eventos chama-se redundância e não informação,
que sempre foi um artigo escasso. A pepita, a luz do entendimento sobre
os fatos, jaz no fundo do rio por falta de bateias, aquele instrumento
solo que sumiu diante da lavagem mecanizada dos detritos. Procurar
saber dá trabalho. Melhor é se entregar à ilusão de que estamos bem
informados, enquanto não conseguimos explicar o grande vazio provocado
pelo consumo de gordura trans do noticiário.
Foot notes: Crônica publicada no dia 13 de maio de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: May 13, 2008 - 06:45 PM
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ACIMA DAS ÁGUAS
Idéias fixas jamais cedem. Uma é a de que o Sul precisa ser um país à
parte, já que o resto do Brasil não teve a “sorte” de ser colonizado
por povos considerados mais nobres. Ou que devemos prestar tributo
apenas aos ascendentes europeus, esquecendo os índios, que ensinaram a
sobrevivência aos invasores, e com eles se confundiram, como notam
Sérgio Buarque de Holanda e Darcy Ribeiro.
Foot notes: Crônica publicada no dia 22 de abril de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Apr 30, 2008 - 10:14 AM
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