Fronteira é o limite que permite o acesso ao infinito. Não há pátria
sem fronteira, como não há cultura sem pátria. O alimento do gênio de
Yamandu Costa é a percepção dessa verdade. Ele tem de onde tirar: seu
violão carrega os frutos que os mestres da música brasileira arduamente
cultivaram ao longo dos séculos. Filho do Sul, ele sabe o quanto vale
uma bandeira fincada na linha divisória da nação. E a usa não como
cobertor, mas como viagem.
Fronteira é o limite que permite o acesso ao infinito. Não há pátria
sem fronteira, como não há cultura sem pátria. O alimento do gênio de
Yamandu Costa é a percepção dessa verdade. Ele tem de onde tirar: seu
violão carrega os frutos que os mestres da música brasileira arduamente
cultivaram ao longo dos séculos. Filho do Sul, ele sabe o quanto vale
uma bandeira fincada na linha divisória da nação. E a usa não como
cobertor, mas como viagem.
Por isso dedicou sua noite do 4º Prêmio Visa de MPB ao ventre que o
gerou. "Viva a música brasileira", disse ele. Não falamos aqui de
raízes, falamos de colheita. A cultura de um povo é obra de seus mais
iluminados artistas, que são abraçados pelo povo a quem pertencem. Com
Yamandu, melhor falar em território: o andamento básico - trem de
guerra metralhado por lanceiros a trote determinado - prepara o solo
seguinte, gema luminosa que nenhum dedo desconhece.
Vestindo, na noite que o consagrou vencedor, bombacha marrom, ele
lembrou que Radamés Gnatalli, o compositor erudito dos discos,
concertos, cinemas e rádios, é gaúcho. Mas, como Baden Powell do Brasil
afro, projeta
essa identidade para altas serras. Sua síntese múltipla aponta para
Ernesto Nazareth, Villa Lobos, Tom Jobim, todos tratados com a rascante
certeza da sonoridade nacional, expressão maior de uma civilização
aberta, mutante, única.
Sua obra transforma o que está fora dela em música de elevador. Longe
do experimentalismo vazio, ele se inspira no chão elevado da pátria
agora em desuso. Os poderes que abriram as comportas para a indiferença
estrangeira, hoje arrostam o olhar escandalizado da nação em pânico. O
resgate só se fará se lembrarmos para que serve o Brasil, espaço
definido a bala, por intermináveis batalhas.
Conheci Yamandu nessa noite de seis de junho de 2001 graças a alguém
que sempre aponta na direção certa: Juarez Fonseca, jornalista,
produtor musical sintonizado com a emergência de todos os talentos e
autor de textos culturais primorosos - e um dos jurados do Prêmio Visa.
Podemos dizer de Yamandu o que Juarez Fonseca disse da poesia: "Não é
para qualquer um, mas é para todos."
Tocar violão como Yamandu não é para qualquer um. Mas é para todo o
País sedento de energia, que hoje amarga a ressaca de seus equívocos e
que, na crise, saberá ressurgir pela mão dos seus maiores artistas.