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<title>Nei Duclós</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/</link>
<description>Nei Ducl�s - Site</description>
<language>en</language>
<pubDate>Tue, 06 Jan 2009 22:20:01 -0200</pubDate>
<lastBuildDate>Tue, 06 Jan 2009 22:20:01 -0200</lastBuildDate>
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 <title>Nei Duclós</title>
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<managingEditor>migue&#108;&#064;&#099;onsciencia.org</managingEditor>
<webMaster>migue&#108;&#064;&#099;onsciencia.org</webMaster>
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<title>HIROSHIMA, O AMOR DA MEMÓRIA</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/HIROSHIMA-O-AMOR-DA-MEMORIA/</link>
<description>O amor pode perdoar sem esquecer, nos diz o diretor Alain Resnais e a roteirista Marguerite Duras no filme fundamental de 1959, &lt;strong&gt;Hiroshima, mon amour&lt;/strong&gt;.
É, como todos, um filme sobre cinema: a mulher francesa participa de um
documentário sobre a necessidade da paz depois da hecatombe nuclear,
mas ela mesma é a protagonista do filme que estamos vendo, e que vai
mais fundo do que os falsos apelos pacifistas, já que joga pesado com a
necessidade real de convívio depois do massacre e a única saída para
isso é resgatar o amor perdido e abrir-se para uma nova relação.</description>
<pubDate>Tue, 06 Jan 2009 22:20:01 -0200</pubDate>
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<title>PRIMEIROS PÁSSAROS</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/PRIMEIROS-PASSAROS/</link>
<description>Desconheço os pássaros de penas amarelas que flagro às vezes entre a
mesmice das espécies voadoras urbanas. Talvez sejam sobreviventes de
velhos massacres, da época em que o Brasil decidiu importar pardais
numa súbita saudade da distante Paris. Ou então fruto de cruzamento das
aves adventícias com os exemplares resistentes da nossa fauna. Eles
convivem, anônimos, com outros, de papel passado, como o bem-te-vi, tão
disseminado quanto o quero-quero, que agora não é mais exclusivo do
pampa.&lt;br /&gt;</description>
<pubDate>Tue, 06 Jan 2009 10:39:58 -0200</pubDate>
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<title>UM GRANDE ANO</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/UM-GRANDE-ANO/</link>
<description>O herói democrata é apresentado como a verdadeira América, a que sacode
levemente a cabeça em sinal de tédio diante dos erros de seus
conterrâneos. A ética dessa América que envelhece como um galã outonal
jamais perde a postura de grandeza. Basta notar a finesse dos gestos,
das expressões e da coreografia perfeita nas ações decisivas. Como
Ricky/Bogart em Casablanca, ele é capaz de salvar o marido da mulher
que ama, sem desmanchar o topete.</description>
<pubDate>Tue, 06 Jan 2009 10:36:41 -0200</pubDate>
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<title>O ELEVADOR NO ABISMO</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/O-ELEVADOR-NO-ABISMO/</link>
<description>Sobre &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Daguerreótipos&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (Escrituras, 222 páginas), de Marcus Accioly: O poeta é o anjo que ganha a parada, pois enxerga a violência de estar
vivo e encara a brutalidade de ser eterno. Sua poesia está em nenhum
lugar, a não ser nessa “sobra”, quando se desbastam todos os disfarces
e ressurge, crua, a loucura do talento pousado nas costuras
aparentemente efêmeras. Como no poema para Tchaikovsky: “O inferno
atrai e queima a mariposa/ e uma asa de seda – um véu de esposa –
/cobriria o teu rosto, além do pranto”.</description>
<pubDate>Sat, 03 Jan 2009 10:06:04 -0200</pubDate>
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<title>MARIENBAD, O FANTASMA DA MEMÓRIA</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/MARIENBAD-O FANTASMA-DA-MEMORIA/</link>
<description>&lt;strong&gt;O ano passado em Marienbad, &lt;/strong&gt;filme de 1961 de Alain Resnais, com
roteiro de Allan Robbe-Grillet, é sobre a ruptura da memória provocada
pela morte. Precisamos resgatar a memória para que lembremos aquele instante em que
fomos assassinados. Só a partir dessa revelação é que poderemos romper
com a armadilha. O filme acena com essa possibilidade. Chamam esse recurso de obra aberta. Prefiro dizer que houve o desenlace, o
crime, e a mulher vaga, morta, pelos corredores e quartos. A chance de
fugir daquilo é nossa, dos espectadores que depois do final terão
apenas a lembrança do filme como companhia. A memória é um fantasma que
precisa saber o que aconteceu conosco.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;</description>
<pubDate>Fri, 02 Jan 2009 21:42:31 -0200</pubDate>
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<title>ANTES DO TELHADO</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/ANTES-DO-TELHADO/</link>
<description>&lt;p&gt;Vi a coruja na ponta do telhado. Vertical, fazendo pose no entardecer.
O periscópio do olhar transmite a impressão de corpo retorcido, fora de
prumo. Ela apenas está atenta, girando a cabeça enquanto o corpo,
imóvel, imita uma espiral. Seu canto é o silêncio, a sabedoria dos
ouvintes. Calada, como fruto em fim da feira, exibe a presença
descartável quando acendem as luzes da aldeia. Quase não se vê o vulto
que se apaga como as ilustrações de livros obscuros. Mas ela está lá.
Seu segredo é que nada anuncia. Ela se encerra, como um cofre de vime. Guarda-se em penas, desenhos
mortos, pincéis de espinhos. A coruja trafega no lusco-fusco das
celebrações ocultas. Existia antes do telhado, antes mesmo do terreno
baldio cercado, antes do século, da História, da trilha.&amp;nbsp; &lt;/p&gt; 
  &lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
<pubDate>Thu, 01 Jan 2009 21:23:02 -0200</pubDate>
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</item>
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<title>CÉU E INFERNO, DE AKIRA KUROSAWA</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/CEU-E-INFERNO-DE-AKIRA-KUROSAWA/</link>
<description>&amp;quot;Céu e Inferno&amp;quot; (ou &lt;em&gt;High and low&lt;/em&gt;) é, como todos, um filme sobre
cinema: a investigação de um crime de seqüestro é a leitura de imagens
e sons. As pistas audiovisuais fecham o cerco sobre o criminoso, que
consegue o resgate porque enxerga mais: pelo telescópio, segue todos os
passos da sua vítima, o executivo que exibe poder e fortuna na grande
janela envidraçada da sua mansão, a cavaleiro sobre a favela. Mas o
olhar individual do sequestrador não vence o olhar coletivo, da
sociedade e instituições mobilizadas para descobri-lo. É desmascarado
por meio dos ruídos que deixa gravados nos seus telefonemas de
chantagem, da voz que denuncia sua pouca idade, das opções que acabam
entregando a localização do seu esconderijo.</description>
<pubDate>Sat, 27 Dec 2008 08:19:23 -0200</pubDate>
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</item>
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<title>O BRILHO DAS ÁRVORES</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/O-BRILHO-DAS-ARVORES/</link>
<description>Do estábulo vemos a rua coberta de lances obscuros. Balbuciamos uma
nova língua, mas só os bichos escutam. As pessoas se transformaram em
mercadorias. Não há como escapar, dizem, nem mesmo o talento que afias
diariamente, nem mesmo o sonho de acordar dessa loucura. Deves te
ordenar na comunhão dos aflitos, enquanto envelhecem os bandidos e seus
tesouros acumulados. Nenhum franco atirador postado na torre da capela,
para mantê-los à distância, enquanto resistimos.&lt;br /&gt;</description>
<pubDate>Wed, 24 Dec 2008 21:23:05 -0200</pubDate>
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</item>
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<title>O QUE É O GÊNIO?</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/O-QUE-E-O-GENIO/</link>
<description>Implico com a palavra “menor” ao lado de um criador de obras-primas. É
importante fazer um reparo: todo Kurosawa é maior. Não existe um só
filme de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Akira Kurosawa &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;que possa ser classificado de outra forma. Nem
vou falar dos mais explícitos, como &lt;em&gt;Dersu Uzalá, Ran, Os Sete Samurais,
Sanjuro, Yojimbo.&lt;/em&gt; Mas de O Barba Ruiva (1965), em que Toshiro Mifune
interpreta o doutor dos pobres, um sábio que ensina, pelo exemplo, seu
aprendiz arrogante.</description>
<pubDate>Tue, 16 Dec 2008 12:55:48 -0200</pubDate>
<guid>http://consciencia.org/neiduclos/News/O-QUE-E-O-GENIO/</guid>
</item>
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<title>COLT É IRMÃO DA WINCHESTER</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/COLT-E-IRMAO-DA-WINCHESTER/</link>
<description>Em dois filmes irmãos - &lt;em&gt;Cão Danado&lt;/em&gt; (1949), de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Akira Kurosawa,&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; e
&lt;em&gt;Winchester 73&lt;/em&gt; (1950), de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Anthony Mann&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; - Caim e Abel se defrontam depois
de uma perseguição implacável. O que liga os protagonistas em cada
filme são armas de estimação, importantes, raras. No Japão do
pós-guerra, um colt roubado vira instrumento de crimes sucessivos,
enchendo de culpa seu dono, o policial (Toshiro Mifune), que depois de
muita luta, recupera a arma. No velho Oeste, a Winchester perfeita,
considerada “uma entre um mil”, é disputada pelos dois filhos de um
rancheiro e acaba passando de mão em mão até o duelo final, quando o
filho bom (James Stewart) a resgata ao eliminar, no meio das pedras de
um penhasco, o irmão assassino.</description>
<pubDate>Tue, 16 Dec 2008 12:52:29 -0200</pubDate>
<guid>http://consciencia.org/neiduclos/News/COLT-E-IRMAO-DA-WINCHESTER/</guid>
</item>
<item>
<title>A CHAMA E A SOMBRA</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/A-CHAMA-E-A-SOMBRA/</link>
<description>O filme &lt;em&gt;Flammen &amp;amp; Citronen&lt;/em&gt; (2008), de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Ole Cristhian Madsen&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, é uma apurada sucessão de imagens de alta intensidade visual e
dramática. As cores carregadas em contrastes gritantes fazem dele um
noir do século 21: lâmpadas fortes sobre escrivaninhas minuciosamente
produzidas, paisagens maravilhosas de céu, mar e grama que duelam com
automóveis de cores berrantes, Estocolmo e Copenhagen esplendorosas na
sua frieza incendiada pela ação e personagens sinistros em armadilhas
mortais fazem desse lançamento internacional um acontecimento
importante, mesmo quem seja considerado longo demais, confuso muitas
vezes e com situações forçadas em algumas partes.</description>
<pubDate>Tue, 16 Dec 2008 12:50:01 -0200</pubDate>
<guid>http://consciencia.org/neiduclos/News/A-CHAMA-E-A-SOMBRA/</guid>
</item>
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<title>ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA: NÃO VER É SENTIR</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/ENSAIO-SOBRE-A-CEGUEIRA-NAO-VER-E-SENTIR/</link>
<description>A crítica cinematográfica é cega. Não consegue enxergar um filme.
Acharam “Ensaio sobre a cegueira”, de Fernando Meirelles, baseado no
romance de José Saramago, deprimente, apocalíptico, azedo, óbvio. Se é
para despejar adjetivos, para que a crítica? Uma análise precisa ver o
que a obra mostra de maneira explícita, em todos os frames, cortes,
formas, objetos, situações, diálogos, cores. E não o que o crítico
acha. Não podemos achar nada sobre coisa alguma, apenas nos render ao
que é evidente. E o filme é de uma transparência didática e cristalina:
despojados da visão, as pessoas se desvinculam dos laços sociais, que
regem a vida contemporânea por meio do massacre dos signos manipulados
(os faróis do trânsito, as faixas de segurança, a indústria visual).
Emerge então o que estava enterrado sob pressão, a barbárie e o
sentimento.</description>
<pubDate>Tue, 16 Dec 2008 12:47:01 -0200</pubDate>
<guid>http://consciencia.org/neiduclos/News/ENSAIO-SOBRE-A-CEGUEIRA-NAO-VER-E-SENTIR/</guid>
</item>
<item>
<title>MIUDEZAS</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/MIUDEZAS/</link>
<description>Minha mãe mantinha em cima de sua cômoda, no quarto, em lugar de
destaque, o único presente que lhe dei na vida. Era uma pequena cesta
de vime, com tampa, que trouxera da viagem que fiz pela primeira vez ao
mar, quando tinha nove anos de idade. Nela guardava um retrato meu e
outras lembranças. Era seu pequeno tesouro, a saudade do filho que
fora, entre tantos outros, cumprir seu destino na capital.</description>
<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 23:18:45 -0200</pubDate>
<guid>http://consciencia.org/neiduclos/News/MIUDEZAS/</guid>
</item>
<item>
<title>PARA QUE SERVE O CINEMA?</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/PARA-QUE-SERVE-O-CINEMA/</link>
<description>O cinema, soma de todas as artes, serve para humanizar o espírito
exilado do talento (esse mistério da sabedoria). Imersos na barbárie,
na luta pela sobrevivência, dedicados ao esporte de se eliminar
mutuamente, vocacionados para a indiferença, centrados no egoísmo, os
povos acumulam fome de transcendência, que só o cinema pode atender. As
ditaduras costumam expulsar os seres humanos completos, os cineastas,
normalmente vindos da estiva do teatro, da demência literária, do
exílio das artes plásticas, que buscam refúgio em outros sistemas
políticos, onde podem exercer sua grande arte até que novamente os
grilhões de voltem contra eles, podando-os, destruindo ou desvirtuando
suas obras ou implantado neles a desesperança que enfim vence,
renegando o que fizeram para o limbo absoluto.</description>
<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 23:15:13 -0200</pubDate>
<guid>http://consciencia.org/neiduclos/News/PARA-QUE-SERVE-O-CINEMA/</guid>
</item>
<item>
<title>REVOLUÇÃO</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/REVOLUaaO/</link>
<description>Escravidão é implantar, por qualquer meio, a submissão de corpos e
mentes. O exercício da tirania, combatido há séculos pelos espíritos
livres, consegue se superar modificando seus métodos, conforme vão
mudando os paradigmas. São intermináveis cabeças ressurgidas da Hidra,
o mito helênico da eternidade de um monstro. Hoje, exsite tecnologia
suficiente para libertar a humanidade, mas esse conhecimento está sob
as ordens da servidão.</description>
<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 23:12:59 -0200</pubDate>
<guid>http://consciencia.org/neiduclos/News/REVOLUaaO/</guid>
</item>
<item>
<title>AKI KAURISMÄKI: O GESTO ENGESSADO</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/AKI-KAURISMAKI- O- GESTO-ENGESSADO/</link>
<description>Cineasta finlandês faz filmes dramáticos hilários: o drama se expressa
pela imobilidade do gesto, que provoca situações de humor terminal,
aquela risada antes do fuzilamento. Os diálogos são escassos, como as
ações dentro das narrativas (que, paradoxalmente, são dinâmicas). As
conversas pontuam essa situação limite: “Se quiseres falar consigo
mesmo, fale finlandês” diz um dos personagens de Segure seu cachecol,
Tatiana, de 1994, um road movies que toca em algumas feridas básicas
daquela estranha nacionalidade. Parte do antigo império russo, do qual
se separou depois de algumas guerras, e por muito tempo dentro da área
de influência sueca, o país exibe índices razoáveis de qualidade de
vida, mas o isolamento e a falta de sabor da sociedade finlandesa
tornam-se explícitas nos filmes de Kaurismäki.&lt;br /&gt;</description>
<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 23:09:01 -0200</pubDate>
<guid>http://consciencia.org/neiduclos/News/AKI-KAURISMAKI- O- GESTO-ENGESSADO/</guid>
</item>
<item>
<title>A VOLTA DA PALAVRA</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/A-VOLTA-DA-PALAVRA/</link>
<description>O poema manifesto, tornado tradicional pelo tempo transcorrido e
resgatado agora na memória impressa, é apenas um aspecto do
trabalho de Rubens Jardim, que lança seu primeiro livro em 30 anos, “Cantares da Paixão”. O mais importante não é sua “pertença”, sua biografia
poética, mesmo que o núcleo de onde surgiu seja de citação obrigatória.
O fundamental, nele, é o deslocamento do poema para fora
da linguagem, o que é feito com maestria, no uso da palavra conhecida e
na eventual quebra silábica do discurso.</description>
<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 08:07:04 -0200</pubDate>
<guid>http://consciencia.org/neiduclos/News/A-VOLTA-DA-PALAVRA/</guid>
</item>
<item>
<title>O SPARTACUS DE MIZOGUCHI</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/O-SPARTACUS-DE-MIZOGUCHI/</link>
<description>Vi &lt;em&gt;O Intendente Sansho&lt;/em&gt; (1954), de Kenji Mizoguchi, um filme
sobre a luta contra a escravidão. Não sei se alguém notou, mas este
filme foi completamente copiado pelos americanos em &lt;em&gt;Spartacus&lt;/em&gt;
(1960), dirigido por Stanley Kubrick e roteirizado por Dalton Trumbo. O
roteiro do filme do mestre japonês é de Fuji Yahiro, que se baseou em
conto publicado no início do século 20, de Ogai Mori (1862-1922), que
por sua vez se inspirou no conto popular conhecido como Anju e Zushio.
É difícil saber quem bolou as situações que coincidem nos dois filmes,
mas o que foi feito depois se espelhou totalmente na seqüência
dramática do antecessor. Quais são essas coincidências ?</description>
<pubDate>Fri, 05 Dec 2008 12:38:27 -0200</pubDate>
<guid>http://consciencia.org/neiduclos/News/O-SPARTACUS-DE-MIZOGUCHI/</guid>
</item>
<item>
<title>ESSA BRAVURA COLORADA</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/ESSA-BRAVURA-COLORADA/</link>
<description>Os argentinos são especialistas em dar cama-de-gato no gigante. Contam
com sua ferrenha unidade nacional, sua determinação, sua certeza de que
são os melhores do mundo em tudo. Nada pode contra essa avassaladora
cultura argentina, que está sempre certa, sempre dentro da lógica,
sempre acima, sempre melhor, maior e não sei mais o quê. Quando perdem,
sempre há uma explicação, pois jamais abandonarão sua natureza
hegemônica. Esse é o lance decisivo do futebol argentino jogado fora de
campo, onde se decide o futebol (tanto é que têm mais títulos
disputados no continente). Eles se armaram para estragar a festa
(pode-se argumentar: mas isso todo mundo faz; só que os argentinos são
mestres desse ofício). Eles criaram uma rede de intrigas dos corpos que
iriam entrar em movimento. Contavam também com a sorte, que costuma se
entregar às almas determinadas. A sorte tem medo de quem a desafia.</description>
<pubDate>Fri, 05 Dec 2008 12:36:14 -0200</pubDate>
<guid>http://consciencia.org/neiduclos/News/ESSA-BRAVURA-COLORADA/</guid>
</item>
<item>
<title>O GRANDE SUFOCO</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/O-GRANDE-SUFOCO/</link>
<description>O título é uma tradução livre de &lt;em&gt;The Big Heat&lt;/em&gt;, filme de 1953 de
Fritz Lang. Mas também se
reporta ao crime hediondo que é ficar à mercê de gigantescas porcarias
que são produzidas em série pela indústria audiovisual bandida,
enquanto maravilhas, jóias do filme noir e de todos os gêneros dormem
no esquecimento ou rodam apenas na mão dos cinéfilos. Temos pouca noção
do Mal que nos fazem ao nos apartar das obras-primas como The Big Heat,
que foi lançada no Brasil com o título de &lt;em&gt;Os Corruptos&lt;/em&gt;. Nada
mais apropriado para o Brasil de hoje: investigador honesto enfrenta a
máfia que domina os altos escalões da polícia e da política e paga um
preço caro para provar sua inocência e recuperar o cargo perdido.&lt;br /&gt;</description>
<pubDate>Fri, 05 Dec 2008 12:34:19 -0200</pubDate>
<guid>http://consciencia.org/neiduclos/News/O-GRANDE-SUFOCO/</guid>
</item>
<item>
<title>MORROS</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/MORROS/</link>
<description>&lt;br /&gt;
Casa e morro são mistura de pedra e barro, só que nenhum deles foi
feito para suportar o dilúvio. Menos ainda quando as imposições da laje
e do concreto substituem a cobertura vegetal, oferecendo ao relento as
piores perspectivas, confirmadas pela tragédia que despencou em Santa
Catarina. Aqui é a terra dos morros e das casas do Brasil profundo,
aquelas vistas à distância que despertam a vontade de morar nelas. O
aspecto bucólico, silencioso, pacífico dos recantos que bordam as
estradas desta paisagem é o alvo dos sonhos produzidos pelos
estressados da hiper-urbanidade.</description>
<pubDate>Fri, 05 Dec 2008 12:31:46 -0200</pubDate>
<guid>http://consciencia.org/neiduclos/News/MORROS/</guid>
</item>
<item>
<title>DEZEMBRO, O SUSTO DO TEMPO</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/DEZEMBRO-O-SUSTO-DO-TEMPO/</link>
<description>Vi dezembro chegar nas luzes da vizinhança. Elas piscam, insistentes, o
susto do Tempo. Tentam surrar a lembrança da véspera, trágico novembro.
Prometem festa, quando há dor. Vagalumes fixos de cores berrantes,
estão deslocadas neste final de anti-primavera, quando no lugar de
flores, colhemos luto. Quanto mais antigos somos, mais dezembro nos
aproxima daquele choro derramado, posso dizer: de criança. Ainda mais
agora, quando as cicatrizes do paraíso nos lembram o quanto somos
pobres aqui no Sul tão celebrado. A pobreza quase oculta ficou
ostensiva. A paisagem derreteu e o morro veio abaixo, levando junto o
sonho de felicidade.</description>
<pubDate>Fri, 05 Dec 2008 12:29:54 -0200</pubDate>
<guid>http://consciencia.org/neiduclos/News/DEZEMBRO-O-SUSTO-DO-TEMPO/</guid>
</item>
<item>
<title>PERTO DAQUI, AQUI MESMO</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/PERTO-DAQUI-AQUI-MESMO/</link>
<description>Redescobrimos que nossa tranqüilidade não vem da nação que habitamos,
mas da firmeza do clima. Se ele estiver bom, tudo pode ser resolvido,
até mesmo a ditadura que nos governa. Mas se redemoinhos de centenas de
quilômetros se movimentam em sentido anti-horário, capturando milhões
de toneladas da água do mar, para jogar sem cessar em cima de nós,
então não tem remédio, não tem mais jeito. É uma espécie de traição. É
como romper as regras do jogo só para humilhar o adversário. Onde está
o sol, que não seja ardido e prenúncio de mais chuva? Onde está a
praia, impossível de freqüentar com tanta intempérie?&lt;br /&gt;</description>
<pubDate>Fri, 05 Dec 2008 12:27:45 -0200</pubDate>
<guid>http://consciencia.org/neiduclos/News/PERTO-DAQUI-AQUI-MESMO/</guid>
</item>
<item>
<title>VERÃO À VISTA</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/VERAO-A-VISTA/</link>
<description>O verão se aproxima e vejo braços levantados, que se destacam na
multidão. Eles se sacodem ao ritmo de um Carnaval de cidade pequena,
praça cheia, salão suado. As lantejoulas grudam na pele que brilha,
como um verniz. Os rostos redondos de olhos esperançosos aguardam o
porvir, nome antigo do futuro, que chegou cedo demais e depressa se
despediu. O Tempo voltou ao normal, devorando a memória. À poesia
restou o encargo de resgatar o pó dos dias, reuni-lo em forma de
criatura. E soprar nela o despertar, enquanto enterram o amor num canto
remoto do quintal.</description>
<pubDate>Fri, 28 Nov 2008 18:21:18 -0200</pubDate>
<guid>http://consciencia.org/neiduclos/News/VERAO-A-VISTA/</guid>
</item>
<item>
<title>JUVENTUDE FORA DE HORA</title>
<link>http://consciencia.org/neiduclos/News/JUVENTUDE-FORA-DE-HORA/</link>
<description>A juventude que chega tardiamente e viabiliza uma segunda chance para a
profissão e o amor, seria fruto dos impactos da ciência na humanidade
ou apenas perda de tempo? Nossa geração, que se recusou a abraçar o que
estava programado e ousou novos caminhos, dando a si uma nova
oportunidade, que elegeu a juventude como o insumo permanente do risco
e de uma vida plena, sofre hoje com esse conflito: para onde foram
tantas conquistas, tanto conhecimento acumulado, tanta experiência?
Voltamos à estaca zero ou conseguimos realmente mudar tudo? Somos o
professor recém saído da recuperação, cheio de projetos, driblando a
tirania, ou aquele que volta ao seu regaço de modorra e esquecimento e
acaba se perdendo no meio da noite e da neve? Eis a atualidade candente
de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Youth without Youth&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, a nova obra de &lt;em&gt;Francis Ford Coppola&lt;/em&gt;.</description>
<pubDate>Fri, 28 Nov 2008 18:18:32 -0200</pubDate>
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